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Caso Calfen: profissionalizar a gestão de uma empresa familiar de 24 anos

FK
Frank Koji Migiyama
9 de setembro de 2026 · 8 min de leitura
CALFEN
Caldeiraria industrial · Itupeva-SP
A Calfen, especializada em caldeiraria industrial em Itupeva-SP, atravessa uma transformação de gestão sob a nova geração da família — com apoio da FKConsulting.PRO.

Toda empresa que cresce cedo ou tarde esbarra em uma pergunta que não se resolve com faturamento nem com mercado: como fazer a gestão acompanhar a nova dimensão do negócio? É uma pergunta simples de enunciar e brutalmente difícil de responder — porque a resposta quase nunca está em mais estrutura física. Está na maneira como a empresa é administrada.

A Calfen, empresa familiar de Itupeva (SP) especializada em caldeiraria industrial, chegou a esse ponto depois de 24 anos de trajetória. A mudança para uma nova sede, maior e mais adequada aos planos da companhia, é a manifestação mais visível de um movimento bem mais profundo — que começou antes de qualquer parede nova ser levantada. É um caso que ilustra, na prática, o que a FKConsulting.PRO faz quando entra em uma empresa familiar em transição: não trocar o que deu certo, mas reconstruir as bases da forma de gerir.

24 anos
de trajetória
Itupeva-SP
caldeiraria industrial
Nova geração
à frente da gestão
Nova sede
maior e mais estratégica

Uma empresa nascida de uma história de trabalho

A Calfen nasceu em Itupeva a partir da trajetória de um homem que cortava cana e ainda na juventude aprendeu caldeiraria. Ao longo de mais de duas décadas, a empresa ampliou sua atuação e passou a atender segmentos exigentes: mineração, agronegócio, celulose, equipamentos especiais sob medida e infraestrutura de rodovias. Uma história de ofício, de mão na massa e de crescimento conquistado projeto a projeto.

Mas a mesma trajetória que construiu a empresa deixou marcas do tempo. A Calfen vinha de um período de pouco investimento, com estrutura física defasada e departamentos que precisavam ser fortalecidos. E havia reflexos disso onde mais dói: alguns clientes importantes começavam a perder a confiança na empresa, enquanto parte da equipe estava desmotivada e insegura. Nada disso aparece num balanço de imediato — mas é exatamente o tipo de erosão que antecede as crises que aparecem.

O ponto de virada: a nova geração assume

A transformação começou por uma mudança societária. As sócias-administradoras Fernanda Giacomini Germer e Gabriela Giacomini Pereira, que até então participavam da sociedade com atuação mais restrita na gestão, passaram a ter visão abrangente da empresa e responsabilidade direta pela sua continuidade.

"A Calfen está passando por uma transformação muito profunda nesses últimos meses. Mais do que crescer, nós estamos reconstruindo as bases da empresa."

Foi ao assumir essa posição que as duas perceberam algo que muda toda a natureza de um projeto de reestruturação: os problemas não podiam ser tratados isoladamente. Corrigir um departamento aqui, apagar um incêndio ali, não resolveria — porque a questão era sistêmica.

"Não bastava corrigir problemas pontuais. Era necessário repensar a Calfen como um todo."

Essa é, na nossa experiência, a fronteira mais importante de qualquer diagnóstico. Empresas que enxergam a crise como uma soma de problemas isolados tratam sintomas indefinidamente. Empresas que enxergam a crise como um problema de sistema — de estrutura, de processos e de decisão — conseguem, finalmente, sair do ciclo.

Do diagnóstico à reconstrução

O diagnóstico levou a uma série de mudanças concretas. A empresa passou a investir na contratação de profissionais mais qualificados, estruturou áreas como Recursos Humanos e Qualidade, fortaleceu o Comercial e retomou o relacionamento com clientes antigos — ao mesmo tempo em que buscava novos negócios. Reconstruir confiança de cliente perdido é mais difícil do que conquistar cliente novo; a Calfen decidiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Ao assumir a gestão de forma mais ativa, Fernanda e Gabriela passaram a acompanhar de perto produção, comercial, qualidade, pessoas, financeiro, estrutura, clientes e estratégia. A experiência, porém, ensinou uma lição contraintuitiva para quem acabou de assumir o comando: ampliar a responsabilidade das sócias não significava concentrar nelas todas as decisões.

Hoje, as duas seguem diretamente envolvidas sobretudo com financeiro e RH — áreas ligadas à sua experiência —, mas passaram a contar com profissionais especializados na condução dos demais departamentos. E foi aí que se redefiniu o próprio papel do sócio dentro da empresa.

"A evolução mais importante foi entender que ser sócio de uma empresa não significa precisar dominar ou decidir tudo."

A lógica passou a ser outra: dar direção ao negócio, acompanhar resultados, cobrar responsabilidades e permitir que profissionais preparados tenham autonomia para conduzir suas áreas. É a transição de um modelo centralizado, dependente da experiência de poucas pessoas, para uma estrutura em que departamentos, metas e responsabilidades estão claramente definidos. É, em uma palavra, profissionalização.

Onde entrou a FKConsulting.PRO

Fernanda e Gabriela conheciam a empresa e tinham disposição para conduzir as mudanças. O que reconheceram — e essa lucidez é, ela própria, um traço de boa gestão — é que uma transformação daquela dimensão exigia apoio especializado.

"Nós conhecíamos a empresa, conhecíamos o negócio e tínhamos vontade de transformá-la, mas sabíamos que precisávamos de conhecimento especializado para fazer uma reestruturação dessa dimensão."

O trabalho começou pelo alto: uma visão ampla da organização, identificando problemas, definindo prioridades e construindo um plano de reestruturação. A partir daí, a mudança avançou para as diferentes áreas — novos profissionais contratados, setores que operavam de maneira limitada passando a ter processos, responsabilidades e objetivos definidos.

Mas a mudança mais significativa não foi de organograma. Foi de tomada de decisão. A gestão anterior era marcada por decisões centralizadas e reativas, tomadas conforme os problemas surgiam. O trabalho conjunto ajudou a estabelecer uma abordagem baseada em análise, planejamento, indicadores e participação dos responsáveis por cada área — que, no fim, é a maneira certa de gerir um negócio. Decidir deixou de ser reagir e passou a ser antecipar.

Estrutura não basta: a parte mais difícil é a das pessoas

A reorganização da gestão trouxe o aprendizado que costuma ser o mais subestimado em qualquer reestruturação: estruturas e processos, sozinhos, não seriam suficientes. A equipe havia atravessado um período de insegurança, e era preciso recuperar a confiança dos colaboradores e construir uma cultura diferente.

"Uma empresa não se transforma apenas com máquinas, prédio ou processos. Era necessário também reconstruir a confiança das pessoas e criar uma cultura diferente daquela que existia anteriormente."

É a lição que repetimos em toda gestão interina: o organograma é o mais fácil. Indicadores se desenham em uma tarde. O que leva tempo — e o que sustenta ou derruba uma transformação — é a formação de uma equipe capaz de assumir responsabilidades e participar da nova dinâmica da empresa. Sem isso, o plano mais bem-feito não sai do papel.

A mudança para uma sede maior materializa parte dessa transformação. Mais do que acompanhar a expansão física, o novo espaço integra um movimento de preparação para os próximos anos. A parede nova é a consequência visível de uma decisão invisível: a de mudar a forma de administrar.

O que o caso ensina

1. Crescer é um problema de gestão, não de estrutura

É tentador responder ao crescimento com mais espaço, mais máquina, mais gente. Mas estrutura sem gestão à altura só amplia o descontrole. A Calfen entendeu a ordem certa dos fatores: primeiro a forma de decidir e de organizar; a nova sede, depois, como consequência.

2. Profissionalizar é separar propriedade de gestão

O salto de maturidade da empresa familiar acontece quando o sócio para de querer decidir tudo e passa a dar direção, cobrar resultados e confiar em profissionais preparados. Não é abrir mão do negócio — é finalmente governá-lo. Ser dono e ser gestor são funções diferentes; confundi-las é o gargalo mais comum das companhias familiares.

3. Reestruturação não tem linha de chegada

O trabalho na Calfen segue: consolidação das novas estruturas, amadurecimento da gestão, fortalecimento das áreas. Quem promete uma virada com data para terminar não entendeu o problema.

"Reestruturação não é um projeto com começo e fim muito definidos. A Calfen já mudou muito, mas ainda está em processo de amadurecimento."

Conclusão

A trajetória iniciada há 24 anos entra em um novo capítulo — e o mérito dessa virada é, antes de tudo, das sócias que tiveram a coragem de mudar a própria forma de mandar na empresa que é delas. O papel da FKConsulting.PRO, ao lado do sócio Frank Koji Migiyama e dos consultores executivos Eduardo e Evandro, é o de sempre: método, mão na operação e acompanhamento até que a nova forma de gerir se sustente sozinha.

"No fundo, estamos construindo uma nova Calfen dentro de uma empresa que já tem muitos anos de história — preservando aquilo que sempre teve valor, mas mudando profundamente aquilo que já não fazia sentido para o futuro que queremos construir."

À medida que uma empresa cresce, preservar sua história pode exigir justamente a coragem de mudar a maneira como ela é administrada. É isso que uma boa gestão interina entrega: não uma ruptura com o passado, mas a ponte para o próximo ciclo.

Nota de transparência A FKConsulting.PRO participa do processo de profissionalização e reestruturação da gestão da Calfen, empresa familiar de caldeiraria industrial de Itupeva-SP, ao lado das sócias-administradoras Fernanda Giacomini Germer e Gabriela Giacomini Pereira. As falas atribuídas às sócias e os fatos aqui narrados têm origem na reportagem "Crescer exige mais do que ampliar a estrutura", publicada pela Gazeta do Povo em 9 de setembro de 2026. Esta versão foi editada e comentada pela FKConsulting.PRO para o seu site, preservando integralmente as citações das sócias. O conteúdo reflete a interpretação técnica da FK sobre o tema e não constitui aconselhamento jurídico ou de gestão.
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